Fragmentos

Volpi – muito mais do que bandeirinhas…

Hoje os fãs comemoram o aniversário de Alfredo Volpi, que se ainda estivesse vivo faria 105 anos. Ele era um dos artistas que eu mais queria ter conhecido, principalmente porque tenho um amor sem tamanho pelas suas bandeirinhas de São João.

 

 

E esse amor ficou maior depois que soube de duas ou três coisinhas bem legais sobre ele:

1. Nasceu na Itália e veio para o Brasil ainda muito pequeno, mas falava com sotaque carregado, misturando palavras em italiano. Só pintava com a luz do sol e se envolvia totalmente com a criação de sua obra. Serrava madeira e montava chassis. Cortava as telas e pregava no bastidor. Preparava a têmpera com clara de ovo, como os renascentistas, porque as tintas industriais “criam mofo e perdem a vida com o passar do tempo“. À tempera acrescentava pigmentos naturais coloridos e uma delicadeza encantadora: um pouco de óleo de cravo, para que o publico não sentisse o cheiro do ovo. Seus quadros eram perfumados!

2. Andava de tamanco ou chinelo, fumava cigarro de palha, adorava sopa de alho e detestava formalidades. Jamais teve carro e não aprendeu a dirigir. Era anarquista convicto e não assinava recibos nem pagava impostos, só quando era intimado.

3. Morou com os pais até se casar, em 1942, com Benedita da Conceição, uma garçonete cujo apelido era Judite, seu amor da vida inteira. Foi ela a inspiração da tela Mulata, de 1927. Viveram juntos até a morte dela, em 1972, e tiveram uma filha, Eugênia Maria — e adotaram outros dezenove. Compraram uma casa enorme para todos ficarem juntos.

4. Quando fez 80 anos, foi chamado pelo governador de São Paulo para almoçar no Palácio dos Bandeirantes. Ele recusou o convite. “O que vou fazer em um palácio?”, disse. “Se ele quiser almoçar comigo, que venha aqui em casa“. O governador (Paulo Egydio) foi até o Cambuci, comeu macarronada e, na saída, recebeu como presente uma reprodução de gravura de bandeirinhas, de pouco valor comercial. Na hora de assiná-la, Volpi pensou um pouco, e perguntou: “Ei, como é mesmo o seu nome?”.

hahahahaa
Amo demais o Volpi.

 

(OBS – Peguei essas informações no livro Alfredo – pinturas e bordados, de Marco Antonio Mastrobuono, que comprei num sebo).