Fragmentos

70 anos de biquini…

Há 70 anos o engenheiro mecânico francês Louis Réard inventou o biquíni. Réard trabalhava na fábrica de lingerie de sua mãe, e um dia, por acaso, juntou alguns pedaços de pano que tinham sobrado, e criou uma roupa de banho muito diferente, o maiô de duas peças, logo batizado de biquíni.

O nome foi uma homenagem ao Atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos tinham uma base militar durante a Segunda Guerra, e onde testaram uma bomba atômica.
 
Micheline Bernardini foi a primeira mulher a desfilar com o traje, na borda de uma piscina pública de Paris, no dia 1 de julho de 1946. Ela era bailarina e stripper e foi escolhida porque nenhuma modelo aceitou usar um traje de banho tão pequeno, “quatro triângulos de nada”, como um jornal da época descreveu.
O que o modelo tinha de tão impressionante? Colocava o umbigo de fora pela primeira vez! O biquíni de Réard era estampado e bem feio, mas causou impacto profundo. Ganhou inimigos na igreja, na imprensa, nas famílias tradicionais. Chegou a ser proibido em alguns países…  
 
 
Mas essa resistência durou pouco. E a sua popularização se deu com uma pequena modificação na calcinha do biquini (que ficou um pouco maior nas laterais) e a adesão de estrelas do cinema americano, como Marilyn Monroe, Jane Mansfield, Rita Hayworth. E Brigitte Bardot, que eternizou o biquini de xadrez azul e branco e babadinhos no filme E Deus Criou a Mulher. Sem esquecer de Ursula Andress e seu icônico biquíni com um cinto, no primeiro filme da série James Bond 007 Contra o Satânico Dr No. 
 
 
NO BRASIL
Aqui, o biquíni começou a ser usado no final dos anos 50, pelas bailarinas e vedetes do teatro de revistas e depois pelas mulheres mais ousadinhas. 
Quando assumiu a Presidência da República, em 1960, Jânio Quadros logo proibiu o uso de maiôs em concursos de beleza e de biquínis nas praias. Mas a proibição caiu junto com o presidente, que só durou um ano no mandato. E as praias nunca viram tantos e tão interessantes biquínis, que ficaram famosos.
Teve principalmente o da Garota de Ipanema Helô Pinheiro e o da atriz Leila Diniz, que exibiu orgulhosa sua gravidez de seis meses na praia e no calçadão de Ipanema, tornando-se um símbolo da libertação feminina no início dos anos 70.
 
Foi no Brasil que o biquíni reinou e procriou muitos filhotes. Todas as garotas, principalmente as que viveram na praia, lembram dos biquínis  “de lacinho”, os “enroladinhos”, os de “cortininha”… Os “asa delta” e ‘”fio dental”, que tiveram vida curta, talvez porque eram muito feios mesmo. 
 
E teve as “tangas”, que existem até hoje. Aliás ouvi dizer que são usadas apenas por aqui, pois as mulheres não brasileiras preferem biquinis com as calcinhas mais altas.
As tangas são a cara de nosso país pra muitos estrangeiros…
Uma coisa que eu não sabia: o maiô de duas peças já era usado no mundo greco-romano, no terceiro século antes de Cristo. Este mosaico, descoberto em Villa Romana del Casale, na Itália, é uma prova disto. 
Seus milhares de ladrilhos coloridos mostram mulheres praticando esportes e se exercitando na praia de biquíni…