Fragmentos

A Diva das Divas.

Quando eu era bem menina a coisa que mais queria era ser cantora. Imaginava que cantar seria pra mim como falar, como conversar com alguém, como a forma mais verdadeira de expressar a minha alma. No meu sonho, eu cantaria qualquer tipo de música, sozinha ou com acompanhamento, me valendo apenas do meu amor pelo canto e, naturalmente, da minha bela voz.

Meu ideal de perfeição, a minha estrela guia, a minha meta, era simplesmente Maria Callas. Eu pensava alto, mirava nas nuvens… queria cantar ópera, com um belo vestido brilhante, levando ao êxtase as pessoas na platéia. Queria ser como ela, a minha deusa… Ainda hoje, que tenho os pés um pouco mais no chão (só um pouco, confesso), a Callas continua sendo pra mim a melhor de todos os tempos. Sempre me emociono com a potencia de sua voz, com seu timbre cristalino, com a visceralidade de seu canto. Não tem pra mais ninguém.

Tenho seus discos e DVDs e de vez em quando costumo escutá-la em silencio. Em sinal de amor e respeito.

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No vídeo acima, Maria Callas canta a famosa ária Casta Diva, do primeiro ato da ópera Norma, do italiano Vicenzo Bellini. Norma é uma ópera em dois atos, que estreou no Teatro Scala, de Milão, em 1831 e se passa na Gália, durante a ocupação romana, cerca de 50 anos antes de Cristo. Norma é uma sacerdotisa druida, que comandava um exercito e que sacrifica a própria vida pela vida de seus filhos.

O papel título dessa ópera é considerado um dos mais difíceis do repertorio de uma soprano e durante todo o século XX somente um pequeno número de cantoras foi capaz de desempenhá-lo com sucesso.  E Maria Callas é considerada a sua intérprete suprema. Ela foi Norma em muitas e muitas apresentações e gravou suas performances por duas vezes em teatros da Europa.

Essa gravação foi realizada em 1957, com a Orquestra Sinfonica Nacional da RAI de Roma, sob a regência do maestro Gabriele Santini.

 

Pra quem quer acompanhar a primeira parte da ária, abaixo a letra, em italiano:

 

Casta Diva, che inargenti

queste sacre antiche piante,

a noi volgi il bel sembiante

senza nube e senza vel…

Tempra, o Diva, tempra tu de’ cori ardenti

tempra ancora lo zelo audace,

spargi in terra quella pace

che regnar tu fai nel ciel“…