Fragmentos

Domingo de todas as mães…

Primeiro era a minha mãe, que se foi muito cedo, muito cedo pra ela e pra mim. Já falei que mal me lembro dela, não foi? Então. Só dos belos cabelos louro escuro, do batom vermelho, do cheiro de sua pele, da silhueta de quase adolescente. Viveu 23 anos e nossa convivência durou apenas três.

**
Depois a mãe fui eu. Quando pari a primeira vez, com aquele bebe carequinha de olhos verdes nos braços, eu falava pra mim mesma: E agora? Como é ser mãe? Como fazer direito, se nunca vi como é? Se nem da minha mãe eu me lembro? Mas, devagar, eu e a cria chegamos a um acordo, com muita tentativa e erro, muitas risadas e carinhos sem ter fim. E tudo se ajeitou. Não sabia se estava fazendo certo, mas aquele era o meu jeito, o nosso jeito.
E chegou mais outro pequeno, depois o mais novo, e a vida foi seguindo seu rumo, como deve ser. E eu virei mãe – errando bastante, as vezes destrambelhada, consertando quando dava, aprendendo sempre, errando de novo, refazendo a besteira, ensinando, e acima de tudo amando, amando muito.

Parece que deu certo.

 

amores

**

Hoje as mães também são elas, as amadas dos filhos. As que me deram netos preciosos e que eu já incorporei como filhas do coração.
Com elas troco informações e saberes, seguindo a maneira ancestral que as mulheres sempre fazem, desde que o mundo é mundo.
Engraçado é que hoje sou a mais velha, a que carrega a tocha…
😀

**
Todos eles sabem que eu não ligo nem um pouco pra esses dias marcados, que se der pra gente se ver no domingo das mães, ótimo. Se não der, tá diboas também.
Nem ligo, porque vejo eles sempre, o ano inteiro, falo com cada um quase todo dia, mesmo fisicamente distantes. Somos amigos, nos ajudamos mutuamente, e nosso amor está sempre ali, forever and ever, como uma onda do mar.
Não tem coisa melhor, é ou não é?

Bom domingo pra vocês todos!

(A foto que abre o post é de Maria Candelaria Rivera Gadea, aluna da Escuela Motivarte, Buenos Aires, Argentina. Foi feita em uma comunidade da Nicarágua).