Fragmentos

O vestido de bolinhas…

“eu era inocência, molequice, diabrura despretensiosa
eu era cândida, um mimo, a deselegância discreta
de todas as meninas

feliz feliz, só sabia dançar.

gaiatice boba e uma natural desenvoltura
(de quem não deve nada à vida).
não sabia nem que existia
a palavra agrura

dor, que dor? naquele tempo era tudo lindo,
minha vidinha Pollyanística
eu era a doçura do mundo inteiro reunida na alma

até descobrir que a vida quebra a gente
em pe-da-ci-nhos
e nos dá um certo ar de amargura
daqueles, de café requentado e ruim de engolir
mas que a gente mete pra dentro mesmo assim.

E eu nunca mais usei vestido de bolinhas”.

(o poema é da querida Ana Farrah Baunilha e a foto é de Sally Mann)