Fragmentos

Olha quem faz aniversário hoje…

Milton Nascimento, o Bituca,  faz 74 anos de idade  e 50 de carreira. Ele é autor de tantas e tão belas musicas, qualquer brasileiro sabe cantarolar suas melodias, e o mais importante: sabe quem é o autor. É um dos mais queridos compositores e cantores brasileiros. E ainda tem aquela voz…

Se deus cantasse, seria com a voz do Milton’, disse uma vez Elis Regina. Ao que o grande pianista americano Herbie Hancock completou: ‘Milton é um compositor brilhante. Ele tem uma das vozes mais incríveis que eu já ouvi. Suas melodias tem uma simplicidade que vão direto ao centro do coração. Você ama desde a primeira vez que escuta‘… Paul Simon concorda: ‘Suas melodias são extraordinárias, são únicas. Ele é talvez o maior compositor brasileiro depois de Tom Jobim. E o maior cantor depois de João Gilberto’

No meio artístico brasileiro ele também é muito amado. Dorival Caymmi adorava Milton Nascimento, e dizia: ‘Nunca conheci ninguém que tivesse por ele um sentimento amargo. Discreto, ele foi se fazendo famoso sem nunca colocar a carapuça de rei“. Caetano não sabe defini-lo: ‘Original e inventivo é pouco. Ele sozinho é todo um movimento“. Pra Gilberto Gil, ‘Milton tem uma certa altivez, uma coisa de alma que sabe que é grande‘. Mas é Chico Buarque quem define melhor toda a sua admiração: ‘Bituca manda em mim’

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Tenho uma lembrança linda com ele. Era 1997 e a gente fazia em algumas cidades o seu show mais recente na época, de nome “Tambores de Minas“, uma superprodução – com nove bailarinos e doze músicos, além de figurinos e cenários luxuosos de Gabriel Vilela, que também dirigiu o espetáculo.

O palco era deslumbrante. Quando se abria a cortina do teatro, aparecia uma fileira de 124 velas acesas no proscênio, de frente pra platéia, além dos enormes tambores em tudo parecidos com as alfaias pernambucanas, mas bem maiores, e que tem aquele som retumbante que só os tambores mineiros fazem. Tudo arrumado como um altar, como os das velhas igrejas, cheias de bordados e ouro.

Os musicos e os bailarinos faziam pose iguais aos das esculturas do Aleijadinho, e o Milton tinha roupas como os reis negros do ciclo do ouro. Uma visão deslumbrante, da alma da historia das Minas Gerais. Inesquecível.

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Pois no fundo do palco, logo à frente do cenário pintado, tinha uma delicada renda em madeira, conhecida pelos estudiosos da arquitetura como ‘lambrequim‘, que enfeitavam as casas mais abastadas do período colonial brasileiro. No vídeo que postei abaixo dá pra ver bem o lambrequim no cenário.

Como a apresentação do Recife era a última da excursão, Milton e Gabriel Vilela  nos deram de presente todo o lambrequim do cenário! Nem acreditei… O espetáculo já tinha viajado muito, e os cenários (sempre feitos com outro tipo de acabamento, diferente das obras de verdade) estavam bem gastos, principalmente os recortes da madeira. Mas a gente deu um trato,  pintou e ficou novinho em folha… E durante anos esse lambrequim adornou a fachada da casa tipo chalé que era o nosso escritório, no bairro do Espinheiro, no Recife

Não sei se ainda existe ou se esse lindo chalé vive apenas nas minhas memórias…

Desejo muitos anos de vida pro Bituca!