Fragmentos

Seguindo a voz do coração

Uma amiga querida me escreve dizendo que está morando em outra cidade depois de deixar tudo pra trás: o bom emprego, o apartamento, os amigos e a vida segura e confortável. Diz ela que foi “um salto solitário para o desconhecido”, depois de ouvir a voz do coração.

A nova vida está sendo conquistada lentamente, dia a dia, ela conta. Às vezes sente medo, mas logo passa. O fato de precisar começar tudo de novo lhe deu um novo ânimo – está se sentindo mais jovem e vendo o mundo com os olhos curiosos de uma criança.

Fico muito feliz. Tem gente como ela, inquieta e corajosa, penso que são essas pessoas que fazem o mundo andar. A maioria não é assim não, prefere viver uma vidinha mais ou menos, seguindo uma rotina massacrante mas sem sustos. Criando úlceras e outras doenças da alma. Aqui em Brasília existe também a busca desesperada por uma vaga vitalicia numa repartição pública, conheço pessoas que não fazem outra coisa a não ser participar de concursos e esperar ser chamado para alguma ‘repartição‘ oficial. Pobre vida…

Começar de novo faz bem. Quando eu tiver 75 anos, nada mais vai me prender. Serei uma velhinha serelepe e faceira, com quase nada de bagagem, visitando as esquinas do mundo – especialmente as que têm wifi liberada, pra fofocar com os amigos via internet…

Como diz um amigo poeta (Luiz Nenung):

“tem muita gente que prefere mesmo
ir vivendo seu pesadelinho de sempre
estável confirmado morno
a romper com o padrão domesticado
o egoísmo engavetado
e arriscar aventurar um sonho
que livre seu mundo do mofo”.