Fragmentos

Tudo ao mesmo tempo, agora.

Muitas coisas acontecendo ao meu redor e são coisas tão pequenas que pouco interessam aos outros, mas são suficientes pra mim, de repente as únicas coisas que verdadeiramente importam pra mim. Muitas, muitas, nem dá pra começar.

E ainda tem a gata fujona que ensaiou uma saída rapidinha quando alguém deu bobeira com o portão e fui pegá-la muitas ruas depois, ela estava que nem uma boba, olhando pro mundo e o carro bem pertinho e eu gritando. Peguei no colo e o pequeno coração felino fazia tum, tum, tum, tum…gatinha tonta. E pessoas que eu considerava muito me bloquendo no FB, por que será? e até fiquei chateada por alguns dias, mas quer saber? já foi…

O arroz integral acabou e a tangerina vai dar muita fruta de novo ano que vem, já dá pra ver, e as formigas comendo o que restou da horta e o trabalho emperrado e eu driblando o deadline e vendo a hora de me nascerem umas asinhas, pra dar conta de tanta, tanta coisa. O mundo é enorme, e tem muita coisa que interessa, mas é, na verdade, miudinho e mal cabe cada um no seu mocó.

Só me resta ralar milho pra fazer uma canjica com leite de coco e pouco quase nada de açúcar, um tanto de manteiga e chazinho de erva doce pra dar perfume. Depois encher os pratos ovais e escrever o nome de cada um do queridos em cima, com canela em pó e palitinho, como minha avó fazia. Ou um pouco de geleia de uva verde, teimei que vou conseguir. E ainda vai ficar com uma cor linda.

Pra mim só a musica segura a solidão.
E melhor do que a musica, só o silencio.
Caetano diz, e eu concordo: e melhor do que o silencio, só o João.
Mas estou escutando a Françoise Hardy, de quem gosto tanto desde sempre, e esse som tão francês que me encanta.

The End.

(a foto da capa é da russa Ekaterina Solovieva)