Fragmentos

Vida longa à sonda Cassini…

A sonda Cassini, depois de 20 anos no espaço e 13 anos orbitando e pesquisando Saturno, finalmente deu seu último suspiro.

O mundo todo ficou muito triste, mas a sonda não podia mesmo voltar pra terra por duas razões:  ela estava em missão há 20 anos, por isso seus equipamentos estavam muito desgastados para fazer viagem de volta ou continuar sobrevoando planetas longínquos. E também não havia combustível suficiente para voltar, e sem combustível, a Cassini se transformaria em lixo espacial e poderia afetar as luas de Saturno… Assim, a NASA achou melhor que ela entrasse pela ultima vez na atmosfera de Saturno, onde seria destruída completamente. Com isso, ainda teria condições de enviar as ultimas imagens do planeta para a Terra.

O desenvolvimento da Cassini começou na década de 80. O nome foi uma homenagem ao astrônomo italiano Giovanni Domenico Cassini, que descobriu quatro satélites e a divisão entre os anéis de Saturno. Junto à sonda, foi acoplada a nave Huygens, que aterrissou na lua Titã, a segunda maior de todo o Sistema Solar. O lançamento aconteceu no dia 15 de outubro de 1997. Bill Clinton ainda era o presidente dos Estados Unidos.

A Cassini demorou sete anos pra chegar em Saturno, e a aterrissagem no solo da lua Titã ocorreu um ano depois, com o desprendimento da Huygens, em 2005. Durante o caminho, ela fez sobrevoos em outros planetas, como Vênus e Júpiter e, ao chegar a seu destino, estudou e produziu imagens, tanto do Planeta dos Anéis quanto de suas diversas luas.

Cassini, a única sonda a navegar a órbita de Saturno, coletou milhares de dados importantes sobre o planeta – o 6º do Sistema Solar. Depois de quase 300 órbitas em volta do planeta, a missão é considerada uma das mais promissoras até agora e a comunidade científica da NASA afirma que os achados da Cassini mudaram não só a visão sobre Saturno e o Sistema Solar como “moldarão futuras missões e pesquisas”. Com Cassini, a NASA conseguiu fazer descobertas importantes, como os mares de metano líquido dobre a Lua de Titã e a existência de um vasto oceano de água salgada sobre a superfície glaciar na Lua Encélado. 

 

Da Cassini chegaram novos dados científicos, obtidos durante os 13 anos em que esteve no sistema de Saturno. Ela trouxe notícias importantes sobre o campo magnético do planeta, a composição dos seus anéis e informações sobre as luas Titã e Encélado. As imagens foram outros dos presentes deixados por esta missão. Embora não tenha sido tirada nenhuma fotografia durante o mergulho derradeiro, já foram distribuídas pela NASA as últimas imagens (ainda não tratadas) recolhidas nesta quinta-feira.

Com o fim da Cassini e, em breve, da sonda Juno que está orbitando Júpiter, a próxima missão a um planeta do sistema solar exterior se dará, com sorte, em 2022. Trata-se da missão “Europa Clipper“, que deverá estudar a lua Europa, de Júpiter. Para quem se acostumou a ter novidades de Saturno e Júpiter quase que diariamente, será uma longa espera.

A Cassini pode ter desaparecido, mas a sua contribuição científica vai nos manter ocupados durante muitos anos. Os 13 anos em que ela esteve na órbita de Saturno foi como uma maratona de descobertas científicas”, disse Linda Spilker, cientista desta missão. Ela diz que a sonda vai continuar a fazer parte das suas noites. “É confortável para nós pensar que, ao olharmos para Saturno no céu estrelado, a Cassini também estará por lá”…

A despedida da Cassini foi muito emocionada. A equipe de engenheiros e cientistas, com o convidado especial Todd Barber, que foi o chefe da missão Cassini-Huygens a Saturno, em 2004, cantaram a musica Tonight, da trilha do filme West Side Story, como adeus à sonda que esteve em suas vidas por 13 anos…

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Números da Cassini:

2,5 milhões de comandos executados | 7,9 bilhões de km percorridos | 453.048 de fotos tiradas | 635GB de dados científicos coletados | 3.948 artigos científicos publicados | 360 queimas de motor | 162 sobrevôos em luas de Saturno | 294 órbitas completas | 6 luas descobertas.

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